O projecto EPIRARE

research materialOs registos de doentes contêm um potencial considerável de melhorar a compreensão das doenças raras e de fornecer a base de conhecimentos indispensável para alicerçar a investigação científica e o desenvolvimento de tratamentos eficazes. Hoje, mesmo apesar de existirem diversos registos de doenças raras, o facto de todos funcionarem de formas diferentes prejudica a recolha de dados sistemática e eficaz e a partilha necessária para que o seu efeito na saúde dos doentes seja positivo.

 

É por este motivo que a EURORDIS decidiu embarcar num novo e excitante projecto para criar consensos e sinergias no sector do registo europeu de pessoas com doenças raras. O EPIRARE é co-financiado pela Comissão Europeia, no âmbito do Programa Europeu de Acção Comunitária no Domínio da Saúde Pública, e coordenado pelo Istituto Superiore di Sanità do Ministério da Saúde italiano.

 

Os seus objectivos gerais são:

  • Analisar a situação presente realizando um inquérito que vise os registos existentes e identificar boas práticas

  • Criar consensos e sinergias para lidar com as questões regulamentares, éticas e técnicas associadas ao registo das pessoas com doenças raras na Europa

  • Elaborar possíveis cenários para políticas europeias acerca dos registos das pessoas com doenças raras

  • Viabilizar uma futura plataforma de registos europeus de doenças raras

 

networkNo âmbito deste último objectivo, o projecto preparará o terreno para a eventual futura criação de uma plataforma europeia de recolha de dados de pessoas com doenças raras. É de esperar que um quadro de referência comum que aborde o âmbito, a governação e a sustentabilidade a longo prazo ao nível europeu venha a evitar o desperdício que é a fragmentação e a duplicação de tempo e recursos; além disso, deverá facilitar também a criação de mais registos de doentes, sobretudo para as doenças mais raras e mais fragmentadas na Europa.

 

No sentido de criar um «padrão-ouro» para os registos de doenças raras, o primeiro passo consistirá em examinar os registos de doenças raras existentes para obter uma visão geral do que foi feito e das lacunas que subsistem. O inquérito debruçar-se-á sobre características específicas do registo, como o âmbito e os objectivos, a base legal para a recolha de dados, as medidas de protecção de dados, o apoio organizacional e financeiro, o número de doentes registados, as necessidades por colmatar, os dados recolhidos, o meio de recolha, as fontes e a qualidade dos dados, e ainda os padrões éticos. O inquérito geral visará o maior número possível de registos de investigação, académicos e industriais e terá lugar em 2012. Será ainda realizado pela EURORDIS um inquérito paralelo para identificar especificamente iniciativas de registo dos doentes e recolher as experiências e as expectativas das associações de doentes neste campo.

 

A EURORDIS é o segundo maior parceiro, logo após o líder, dos 11 que integram o projecto, está envolvida na maior parte das suas vertentes e é especificamente responsável por definir possíveis cenários políticos sobre o âmbito, o conjunto de dados comum, a governação e a sustentabilidade dos registos de pessoas com doenças raras. «Trata-se de um pré-requisito incontornável para definir estratégias e acções concretas nacionais, europeias e internacionais a nível dos registos de doentes», explica Yann Le Cam, Director Executivo da EURORDIS. «Esperamos que o projecto venha a dotar a Comissão Europeia de elementos robustos e de um consenso entre os intervenientes que lhe permitam definir as políticas futuras de registo europeu de pessoas com doenças raras. Esta política pode passar pela redacção de uma proposta legislativa que permita ultrapassar os actuais obstáculos. Mesmo que o regulamento não seja adoptado no futuro mais próximo, o projecto proporcionará pelo menos um conjunto mínimo consensual de dados comuns e um mecanismo de interoperabilidade que as autoridades nacionais podem ter em consideração ao planear ou concretizar as suas estratégias nacionais sobre doenças raras para que os sistemas de registo estejam prontos a comunicar com a plataforma europeia. Estes esforços são também realizados no quadro do recém-criado Consórcio Internacional de Investigação sobre Doenças Raras

 

O envolvimento dos doentes no domínio dos registos é particularmente importante devido ao seu papel na monitorização e no recrutamento. «Há maior probabilidade de os doentes concordarem em ser registados se forem contactados através de outros doentes e se lhes for assegurado que os dados que fornecem serão utilizados adequadamente e que o sistema de monitorização inclui os representantes dos doentes», afirma Lut de Baere, Presidente da RaDiOrg.be, a aliança nacional belga das pessoas com doenças raras. «Esperamos que o projecto EPIRARE venha a reconhecer a importância de envolver os doentes na elaboração e na gestão dos registos ao adoptar recomendações que os organizem oficialmente.»

 

«Os registos são geridos por universidades, pela indústria e, por vezes, por entidades públicas mas, ao fim e ao cabo, é aos doentes que pertencem», sublinha a Dr.ª Monica Ensini, Gestora de Projecto do Registo da EURORDIS. «Por conseguinte, é crucial e indispensável envolvê-los activamente neste processo».

 

Se estiver a trabalhar num registo de doenças raras ou se houver algo que deseje partilhar connosco acerca deste tema, ainda pode aderir à rede EPIRARE. 

 

Mais informações:

 


Este artigo foi originalmente publicado no número de Outubro de 2011 do boletim informativo da EURORDIS.
Autor: Paloma Tejada
Tradutores: Ana Cláudia Jorge e Victor Ferreira
Fotos: © EURORDIS/Epirare, Inserm/Patrice Latron
 

Page created: 28/09/2011
Page last updated: 04/11/2011
 
 
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